O círculo vicioso.

Por Luciano Coutinho

Presa a um círculo vicioso, a política macroeconômica tornou-se disfuncional. Este círculo, engendrado pela severa recessão de 2015-2016, se perpetua no presente pela incapacidade de reativar o crescimento da economia. A queda da arrecadação de impostos e os juros altos ampliaram violentamente o déficit nominal do setor público. Em consequência, a dívida pública vem escalando perigosamente, sendo a expressão mais grave da disfuncionalidade da atual política.

A recessão derrubou as receitas tributária e previdenciária em termos reais. É fácil entender: cerca de 70% das receitas federais resultam de impostos e contribuições sobre a folha de pagamentos, faturamento, produção e lucros das empresas. A recessão implicou desemprego, quedas de produção e de vendas e comprimiu a rentabilidade da indústria, da construção e dos serviços, diminuindo a base de incidência tributária e previdenciária. Em acréscimo à recessão, o forte arrocho do crédito às pequenas e médias empresas levou-as a postergar suas obrigações fiscais.

Do outro lado, as despesas são esmagadoramente rígidas e obrigatórias tais como os benefícios previdenciários e assistenciais, a folha de pessoal e as transferências constitucionais. Nesse contexto, avolumou-se o déficit da seguridade social (hoje ao redor de R$ 164 bilhões) em função de despesas crescentes versus receitas minguantes. Há, sem dúvida, um componente cíclico negativo que em larga medida explica a deterioração fiscal.

Significativos aumentos salariais reais concedidos em 2016 a várias categorias resultaram em forte pressão sobre os gastos com pessoal. No 1º semestre de 2017, tais gastos cresceram mais que as despesas previdenciárias, forçando a equipe econômica a fazer cortes brutais nas despesas discricionárias. O funcionamento da maioria dos ministérios beira o colapso. Os investimentos federais foram reduzidos à metade, em relação ao mesmo período de 2016, atingindo a infraestrutura e a área social. Num momento em que a economia precisa ser impulsionada, esse tipo de ajuste é contraproducente. Não à toa o governo se debate entre cortes adicionais e mais impostos ou jogar a toalha e aumentar a “meta” de déficit primário de 2017 (de R$ 139 bilhões) para mais de R$ 160 bilhões.

A taxa de juros, mantida elevada por período demasiado longo, foi, também, componente importante da piora fiscal. O volume de juros sobre a dívida pública oscilou entre 4% e 5,5% do PIB entre 2008 e 2014, antes da recessão. O percentual saltou para 8,4% do PIB em 2015, custou 6,5% do PIB em 2016 e subiu para 6,9% nos 12 meses até junho de 2017. Em dois anos e meio, a dívida bruta escalou de 56% do PIB (fim de 2014) para 73% (junho de 2017) e, devido a essa progressão, a carga de juros passa a ser variável ainda mais relevante para a trajetória das contas públicas.

A inflação, que vinha caindo desde o inicio de 2016, despencou inequivocamente após setembro, com forte queda dos alimentos e dos preços administrados e industriais. O Banco Central demorou a reagir. Só começou a reduzir os juros de forma significativa em 2017 e ainda assim correndo atrás da curva da inflação. Do terceiro trimestre de 2016 até o presente, enquanto a Selic caiu 5 pontos de percentagem, a inflação recuou 5,7 pontos. A Selic já poderia estar hoje em 8,25%, sem riscos, com juros reais percebidos pelo mercado de 4,8% ao ano. Além disso, o BC tem ficado de braços cruzados ante a continuada retração do crédito às empresas nos últimos 18 meses, um dos fatores do aprofundamento da recessão e da queda da arrecadação.

A atual política econômica, portanto, agravou desnecessariamente a recessão e não facilita a retomada do crescimento, condição sine qua non para romper o círculo vicioso. Mantido esse cenário, acrescido de incerteza politica, o mercado financeiro já começa a projetar uma escalada perturbadora da relação dívida bruta sobre PIB, aproximando-a de 80% ao fim de 2018. Incidentalmente, esse cenário inquietante para a dívida bruta/PIB torna palpável o risco de aumento da ponta longa dos juros (NTN-B), deixando clara a precipitação da fórmula original proposta para a TLP, sem fundamentação em estudo técnico consistente.

É essencial compreender que, sem recuperação firme do crescimento econômico, será impossível resgatar a saúde fiscal e controlar a trajetória da dívida pública. Reformas relevantes, como a da Previdência, só produzirão frutos plenamente com crescimento da economia.

Urge, por isso, acelerar a redução da Selic e desbloquear o crédito de giro às empresas, além de deslanchar, via setor privado, os investimentos em infraestrutura, energia e petróleo e gás, numa escala de R$ 90 bilhões nos próximos meses.

O governo tem sido lento e ineficiente neste último capítulo. A reforma do setor elétrico deve ser aperfeiçoada para induzir novos investimentos substanciais; a Petrobras deve cuidar das suas inversões para não ficar aquém do seu Plano de Negócios; as concessões em logística precisam ser reestruturadas e reabertas. Já passou da hora a necessidade de harmonizar e unificar os processos de leniência de modo que as empresas de engenharia possam se recuperar e contribuir para o crescimento em conformidade com rigorosos padrões éticos.

Em suma, ou a política econômica se foca prioritariamente na retomada do crescimento ou chegaremos a 2019 em condições fiscais e financeiras muito mais vulneráveis do que agora.

Luciano Coutinho, economista, é professor convidado do Instituto de Economia da Unicamp e escreve mensalmente neste espaço.

Após recordes, Magazine Luiza considera mudar estratégia no ano.

Por Adriana Mattos | De São Paulo

O crescimento do Magazine Luiza no segundo trimestre, considerado “impressionante” pelos analistas, deixará a varejista mais confortável para mudar a estratégia comercial na segunda metade do ano, se necessário. A rede, que registra alta de 250% na cotação de suas ações no ano, bateu recordes de lucro e margem de abril a junho, além de ter reduzido o endividamento para o menor patamar regiões e em todos os canais” desde sua abertura de capital em 2011.

A empresa considera a hipótese de uma queda na expansão da receita no segundo semestre e, caso seja preciso reagir, usará sua “margem de segurança”, segundo o comando da rede, para acelerar vendas. A possibilidade de desaceleração deve-se a uma base de comparação “robusta” de 2016.

“Estamos sendo transparentes em relação a essas expectativas, nossa base de 2016 é forte. [..] A opção que temos é de uma mudança em estratégia comercial e há espaço para isso. Se precisarmos usar um pouco de margem para crescer, podemos fazê-lo, mas não tem nada garantido nesse sentido. A ideia continua a ser defender rentabilidade”, disse ao Valor o presidente da rede, Frederico Trajano. Ontem, a ação subiu 0,95%, para R$ 370,35.

No segundo trimestre, a companhia apresentou aceleração nos ganhos num ritmo acima do esperado pelo mercado. As margens operacionais foram “surpreendentes”, para os analistas do BB Investimentos. Ganhos de eficiência da operação integrada de varejo físico e on-line – a rede é uma das poucas 100% integradas – e ambiente de competição mais “benéfico”, que afeta menos rentabilidade, pesaram no desempenho final, na avaliação da Brasil Plural.

O Magazine Luiza nunca lucrou tanto em um único trimestre – R$ 72,4 milhões, sete vezes mais que há um ano (??). A venda líquida subiu 25,7%, para R$ 2,7 bilhões, superior à alta das despesas operacionais, de 15,4%. Com isso, o lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) cresceu 44,5%. O que mais chamou a atenção do mercado foi a operação on-line: avanço de 55% na receita líquida, em cima de uma alta já expressiva, de 33,6%, em 2016.

Como consequência, a margem Ebtida também acelerou, atingindo a maior taxa da história do grupo, de 8,7% (aumento de 1,1 ponto). A empresa ainda melhorou a rotatividade dos estoques, que caiu de 80 dias para 69 dias. O prazo médio de pagamento à indústria subiu de 86 dias para 91 dias.

A empresa considera a hipótese de uma queda na expansão da receita no segundo semestre e, caso seja preciso reagir, usará sua “margem de segurança”, segundo o comando da rede, para acelerar vendas. A possibilidade de desaceleração deve-se a uma base de comparação “robusta” de 2016.

Vendas de Casas Bahia e Ponto Frio crescem no 1º trimestre Por Tatiane Bortolozi | Valor SÃO PAULO  –  A Via Varejo, varejista de eletroeletrônicos e móveis do grupo Pão de Açúcar, informou um crescimento de 2,2% do faturamento líquido no primeiro trimestre, em comparação a igual período de 2016, para R$ 5,99 bilhões.

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Há evidente endeusamento de Magazine Luiza, sua estratégia de marketing, quer na Bovespa ou nos jornais, tem sido excelente.

Mas….. “o crescimento impressionante”, alavancado pela liberação do FGTS, não recorrente, não beneficiou apenas Magazine, mas outras redes.

E Magazine não apresentou nada diferente se comparado aos anos de 2014/2015.

Com exceção de sua cotação em Bolsa.

Não se deixe levar pelo canto do “cisne”, o mercado não está uma “brastemp”.

PLretAtivo

Xadrez do atraso do pensamento econômico brasileiro, por Luis Nassif.

Primeiro, há um boom nos investimentos, o “milagre” dos anos 70, a explosão de vendas do segundo semestre de 1994, decorrente da estabilização econômica, e o boom de crescimento do período 2008-2010, com o enfrentamento da crise.

As empresas passam a investir apostando na curva de crescimento. Para tanto, se alavancam – isto é, se endividam junto ao setor bancário.

Quando se chega ao fim do ciclo, tem-se um grande endividamento e uma queda na rentabilidade, não suportando  mais os encargos financeiros decorrentes dos investimentos realizados. E, aí, não existe um diagnóstico preciso das autoridades, para enfrentar a questão.

Segue: http://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-do-atraso-do-pensamento-economico-brasileiro-por-luis-nassif

Brasil tem superávit comercial recorde para julho.

Por: Bruna Calazans

Nesta terça-feira (1), o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) informou que o Brasil registrou superávit comercial de 6,928 bilhões de dólares em julho. Isto significa que as exportações foram em maior valor que as importações. Até então, o maior superávit para este mês havia sido registrado em 2006, com cerca de 5 bilhões de dólares.

Em junho desse ano, as exportações somaram 18,76 bilhões de dólares, com uma alta de mais de 14% em relação a julho de 2016. As compras do exterior somaram 12,47 bilhões, aumento de 6,1% nessa comparação.

No acumulado dos sete primeiro meses do ano, a balança comercial registrou superávit  de 42,51 bilhões, o maior em 29 anos. Para 2017, a expectativa do mercado financeiro, segundo pesquisa do Banco Central, é que o saldo positivo da balança comercial supere o de 2016. Para os analistas, o superávit será de 60 bilhões de dólares nas transações comerciais com o exterior.

Rentabilidade sobre patrimônio de bancos no país é *(MUITO) maior que nos EUA.

Mediana do indicador entre bancos brasileiros é de 18,23%.
Levantamento é da consultoria Economatica.

Do G1, em São Paulo

Bancos funcionam em horário reduzido nesta quarta-feira (Foto: Reprodução/TV Fronteira)

A rentabilidade sobre o patrimônio dos bancos brasileiros é superior a dos bancos americanos, considerando as instituições com ativo total acima de US$ 100 bilhões, segundo a consultoria Economatica.

A mediana do retorno sobre o patrimônio (ROE) no ano de 2014 dos quatro (há outros?) maiores bancos de capital aberto brasileiros (Brasil, Itaú-Unibanco, Bradesco e Santander) é de 18,23%. De acordo com a Economatica, 14 bancos dos Estados Unidos fecharam 2014 com mediana de 7,68%.

Em tese, sim!

Quando há redução nas taxas de juros existe, sim, a propensão a investir.

É razoável imaginarmos que a Economia se tornará mais fulgurante e o mercado de ações se tornará a melhor opção.

Sim, em tese.

Foi o que levou a Bolsa americana ao nível mais alto, superior ao de 2008.

Mas o mercado também deveria saber que o conceito vale para juros de mercado e não juros artificiais.

Ou sob oligopólio.

A redução na Selic trouxe ganhos substanciais às empresas, as taxas praticadas no Brasil cederam?

Muito, muito pouco.

Sem contar que o investimento público despencou e a Economia não demonstra sinal de recuperação.

Já convivemos com taxas de juros mais elevadas, mas havia consumo, propensão. E hoje não há, os indicadores estão em níveis mínimos.

O medo de consumir, de investir, espalhou-se profundamente.

O objetivo, aqui, não é de desanimar o investimento em ações.

Mas o de mostrar que, em tese, tudo pode ser excepcional.

Em tese.

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Custo médio empresas saudáveis, com reciprocidade.

Fonte: Bacen

“The interest of money is not regulated by the rate at which the Bank  will lend,  whether it be 5, 3, or 2 per cent, but by the rate of profit which can be made by the employment of capital, and which is totally independent of the quantity or of the value of money. Whether the bank lent one million, ten millions, or hundred millions, they would permanently alter the market rate of interest” – Keynes.

O pessoal ainda não entendeu o tamanho da crise.

Com crise prolongada, empresas terão de reestruturar até R$ 150 bilhões em dívidas

A economia brasileira está demorando tanto para se recuperar que empresas que negociaram suas dívidas há um ou dois anos já precisam voltar à mesa com os credores. Como todas as expectativas sobre o fim da crise se frustraram, a melhora financeira esperada por essas companhias não se concretizou, e elas se veem diante da necessidade de pedir mais prazo e menos juros aos bancos. Segundo projeção da consultoria Alvarez & Marsal, dos R$ 310 bilhões em débitos corporativos que foram renegociados até o fim de 2016, entre R$ 125 bilhões e R$ 150 bilhões terão de ser novamente reestruturados, o equivalente a até 48,3% do volume de dívidas. Dados os valores envolvidos, o problema pode dificultar ainda mais a retomada econômica. – Globo.

Vale desiste de Nova Caledônia.

Como previmos em 2008, Vale deverá se desfazer de seus investimentos em níquel no exterior, inclusive no Canadá.

O preço pago por Vale no auge do boom das commodities foi similar ao de Pasadena (Petrobrás), no Texas. Mas a perda da Vale foi bastante superior.

“Principal motor da boa saúde da economia de Caillou, o projeto Goro Nickel gerou, localmente, “700 milhões de dólares de ganhos econômicos desde outubro de 2004”“. Phil Du Toit se declarou “surpreso e decepcionado” pela recente e súbita decisão dos dirigentes da província sul de exigir à empresa (VALE) o pagamento de uma taxa para a ocupação da área marítima, equivalente a 1% das cifras de negócios.” – 25/02/2008.

Investir no exterior não é boa opção para países de 3ª mundo.

Não possuímos força política ou militar.

Se é bom, desapropriam. Se é ruim, é nosso.

Os investimentos da Vale na África poderão seguir a mesma toada.

Um conselho para investimento.

Um amigo perguntou em que a filha dele, médica, deveria investir.

E mais nada disse.

– Pergunte a tua filha se devo correr 10 km por dia.

– Hein?

– Sim, pergunte.

Voltou com a resposta: – ela não te conhece, tua saúde, idade, modo de vida, etc.

E nem eu a ela, respondi. Não sei se o objetivo dela é de curto prazo, sua aversão ao risco, se tem casa própria, se pretende estudar no exterior, viajar, casar.

Meu amigo entendeu.

Espero que você tenha entendido, investimento não se vende em prateleira.

Alguns vendem, pasteurizam.

Eu, não.