TCU vê irregularidades na Petrobras.

O Tribunal de Contas da União (TCU) constatou irregulares nos dois primeiros estágios da venda das ações preferenciais da Petrobras ao público, ocorrida em julho de 2001. Em razão das irregularidades, o tribunal multou os ex-presidentes do BNDES, Francisco Gros e Eleazar de Carvalho Filho, em R$ 10.000,00 cada. Os auditores encontraram três problemas: contratação sem licitação do banco Salomon Smith Barney para os serviços de estruturação, coordenação e execução da alienação dos papéis; contratação tardia do auditor externo e envio da documentação ao TCU fora dos prazos legais. Nessa oferta pública as pessoas não tiveram incentivos como descontos e utilização do FGTS, que marcaram a venda das ações ordinárias (ON) da empresa em 2000. Foram oferecidas 35,984 milhões de ações preferenciais, das quais 77,7% foram adquiridas por investidores externos. Na ocasião, o BNDES obteve US$ 702 milhões com a venda.

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Pois, em 2000/2001, sob FHC, a Petrobrás cedeu grande parcela de seu capital ao exterior. Não foi privatizada, o Congresso não permitiu. Mas o controle ficou ali, próximo dos 51%.

E o preço do petróleo subiu, a cotação da Petrobrás disparou. Seus dividendos, enormes. Nenhum investidor, nacional ou estrangeiro, reclamou. Bem como não reclamaram os investidores da Chevron e da Exxon, suas ações subiam em patamar bastante inferior.

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E, repare, a Petrobrás concedeu bonificações em 2005 e 2008.

“A Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 22 de julho de 2005, deliberou e aprovou o desdobramento das ações representativas do capital social da Petrobras em 300%, resultando na distribuição gratuita de 3 (três) novas ações para cada ação possuída da mesma espécie, com base na posição acionária de 31/08/2005. Como consequência, o valor de mercado das ações foi dividido por 4 a partir de 01/09/2005.
Já a Assembleia Geral Extraordinária de 24/03/2008 deliberou e aprovou um novo desdobramento de ações da Companhia na proporção de 100%. Isto significou uma distribuição gratuita de 1 (uma) nova ação para cada ação possuída da classe, considerando a posição acionária de 25/04/2008. Assim, em 28/04/2008 as cotações unitárias das ações foram divididas por 2 simultaneamente à duplicação da posição acionária, não havendo, portanto, nenhuma perda financeira para os acionistas.
O objetivo daquele desdobramento foi facilitar a compra de ações da Petrobras pelo pequeno e médio investidor e consequentemente ampliar a base de acionistas da Companhia.”

Assim, quem possuía 01 (uma) ação em 2001, passou a deter 08 (oito) ações em 2008! Além da enorme valorização em Bolsa, a multiplicação dos pães. E ninguém reclamou, não é? http://www.investidorpetrobras.com.br/pt/acoes-e-dividendos/acoes

Em 2006, a descoberta do pré-sal, um lugar frequentado pela Shell e devolvido após nada encontrar.

Em 2008, a 1ª queda no preço do petróleo. 

Acontecia a crise dos sub-primes e vários bancos americanos foram flagrados em severos crimes contra a economia popular. O mundo despencou. As commodities despencaram de preço, o ferro, o níquel, o petróleo, etc. O BLOG alertou, em março de 2008. http://pimon.com.br/2009/10/17/um-bonde-chamado-xstrata-3/

A cotação de Petrobrás caiu. Como caiu a cotação de Chevron, Exxon ou Vale. Mas voltaram a subir, em seguida.

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Há um detalhe que é substancial, o beta da Petrobrás. Enquanto a Exxon (XOM) possui um beta inferior a  01 (um), na verdade 0,81, qual seja, a cada variação do índice em WS, a ação da Exxon cai em nível inferior ao do mercado, o beta de Petrobrás é de 2,3! A ação da Petrobrás, a mais negociada na Bolsa americana, possui forte volatilidade. Ela pode subir ou cair violentamente e o gráfico acima mostra  seu descolamento versus Exxon e Chevron de 2005 até 2010, uma nova etapa.

Foi em 2010 que o governo Lula decidiu dar impulso ao pré-sal, tão desprezado pela mídia. E a Petrobrás  arrecadou cerca de R$ 120 bilhões com a capitalização, confirmando a operação como a maior já registrada no mundo, em cerca de US$ 70 bilhões (Globo). Surgia uma nova empresa dentro da própria Petrobrás, uma empresa que focaria na produção de até 05 (cinco) milhões de barris em 2022.

Além da diluição na quantidade de ações e  em face da brutal subscrição, o objetivo da empresa mudara. Não seria apenas a Petrobrás, mas uma das grandes do mercado mundial! Mas os investimentos seriam monstruosos e os dividendos, não. Talvez o leigo não saiba, mas o mercado americano busca dividendos. A valorização da ação, qualquer uma, é proporcional ao dividendo expectado.

Apenas como exemplificação apresentaremos o comportamento de uma de nossas maiores empresas em WS.

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Veja que a Ambev, apesar de lucrativa, monopolista e etc., suas ações não valorizaram nos EUA. E, por qual motivo? Seu lucro é previsível, seu retorno é certo. Mas será o esperado pelo mercado, sem surpresas. E sua cotação obedecerá à razão direta aos seus dividendos. O mercado americano é, essencialmente, fundamentalista.

E, tal como opera com Ambev, opera com Petrobrás.

Pois bem, vamos ao ponto.

Assim que o mercado percebeu que o objetivo da Petrobrás era o de investir e investir, o preço da ação começou a cair. Claro! Perceba o exemplo da Ambev. Aquele lucro fantástico que a Petrobrás ofertara, anos antes, minguaria. E o mercado é voraz, é hoje. Se Petrobrás deixará de ser, por um tempo, excelente provedora de dividendos, o mercado perderá o interesse. Veja que  a cotação começa a cair já em 2010 e logo após a subscrição e o novo norte.

Chevron e Exxon continuaram a subir, pouco. Nenhuma delas tinha algo como Petrobrás, um pré-sal.

E o pré-sal não era o que é hoje. O custo de extração era de de 40 (quarenta) dólares por barril! Hoje é de 08 (oito) dólares. Não era um colírio para os investidores. O Mercado passou a desconfiar da Petrobrás, “aquilo daria certo”? O custo de extração era alto demais. Não inviabilizava, mas não alentava. E a cotação da Petrobrás cedeu e cedeu até igualar-se (valorização) à Chevron e Exxon. Isso entre 2013 e e fim de 2014, quando nova crise abateu-se no mercado mundial e a cotação do petróleo caiu ABAIXO de 30 (trinta) dólares. Sem contarmos o congelamento de preços praticado pela Presidente Dilma. O lucro da empresa minguou e “impairments” (adequação contábil) agitaram o balanço da empresa de forma substancial. Como agitaram os balanços de Exxon e Cheveron.

E, lembre-se do BETA. Dissemos que o beta de Petrobrás é de 2,3. Para cima ou para baixo. Em caso de queda, a maior queda seria a da Petrobrás.

– Mas a Petrobrás não estava quebrada? Voltamos ao exemplo da AmBev! Não, não estava quebrada, seu patrimônio líquido decaiu alguma coisa entre 2014 e 2015, mas por conta do “impairment” (tecnicamente trata-se da redução do valor recuperável de um bem ativo. Na prática, quer dizer que as companhias terão que avaliar, periodicamente, os ativos que geram resultados antes de contabilizá-los no balanço) http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/testedeimpairment.htm.

Mas seus dividendos  foram profundamente prejudicados. E a cotação é função dos… dividendos. Lá. E cá, por um mecanismo chamado arbitragem.

O Patrimônio Líquido da Petrobrás era de 300 (trezentos) bilhões no terceiro trimestre de 2015. Hoje é de algo como 260 (duzentos e sessenta)  bilhões.


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Em que a “enorme” corrupção descoberta por Dilma em 2012 afetaria a Petrobrás e suas cotações? Em nada. Espaçadas, um valor estimado em 06 bilhões de dólares, hoje? Talvez o mesmo montante do prejuízo de Vale com a compra da Inco, no Canadá. Os ativos da Petrobrás beiram 01 (um) trilhão de reais.

A cotação da Petrobrás caiu por um único motivo, seu DIVIDENDO zerou! Óbvio, operacionalmente e contabilmente. Como dar lucro com o barril cotado a 28 (vinte e oito) dólares? A Exxon não deu, a Shell, a Chevron. Mas a situação mudou e o petróleo voltou a subir no 1º trimestre de 2105. Os “impairments” e outras avenças tributárias e políticas emperram seu lucro, hoje. Mas ele existe! 

O valor da empresa cresceu, e muito, até o 3º trimestre de 2014. Até o petróleo ceder.  Nada a ver com Lava-Jato!

Sim, a Lava-jato prejudicou a Petrobrás, posteriormente. Seu objetivo é político. Estados Unidos, Alemanha e outros países não praticam atos contra suas empresas inidôneas (?), mas contra seus dirigentes. Nenhuma empresa é inidônea, de per si.

Mas, por qual motivo o Pedro Parente quis pagar quase 03 bilhões de dólares a fundos abutres e causar tamanha celeuma e sequela?

Não sei.

Vou citar novamente o parágrafo inicial: “o tribunal multou os ex-presidentes do BNDES, Francisco Gros e Eleazar de Carvalho Filho, em R$ 10.000,00 cada. Os auditores encontraram três problemas: contratação sem licitação do banco Salomon Smith Barney para os serviços de estruturação, coordenação e execução da alienação dos papéis; contratação tardia do auditor externo e envio da documentação ao TCU fora dos prazos legais”.

A dedução é sua.

PS: a reação começou. http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/tcu-pode-impedir-acordo-da-petrobras-com-americanos-por-perdas-da-lava-jato/



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